Arquivo da tag: Crise

Privatização de estatais nunca resolveu o problema da dívida pública

A crise atual recolocou em pauta o velho receituário liberal de reduzir o papel da Estado na economia, como se a contração do setor produtivo não decorresse de um corte brutal nas despesas públicas. Essa concepção se baseia no mito de que “a economia é regida por leis naturais e a política, por ser arbitrária, prejudica o funcionamento do sistema econômico”, como observa o economista Pedro Rossi em seu livro Taxa de Câmbio e Política Cambial no Brasil. Continuar lendo Privatização de estatais nunca resolveu o problema da dívida pública

Anúncios

Brasil é um país-chave na luta contra a crise democrática global, diz livro

Depois de décadas de avanços democráticos em diferentes partes do planeta, o mundo aparenta ter entrado em uma recessão democrática, e o sistema de governo popular pode estar em risco. A avaliação foi percebida nas últimas edições do índice de democracias do Economist Intelligence Unit, consultoria ligada à revista “The Economist”, que apontou “uma era de ansiedade’ em 2015′, refletindo “o ano em que a democracia foi testada por guerras, terrorismo, migração em massa e outras crises”. Continuar lendo Brasil é um país-chave na luta contra a crise democrática global, diz livro

BELLUZZO: GOVERNO TEMER É ILEGÍTIMO E RETROCESSO CUSTARÁ CARO

: Para o economista e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff significa “uma ruptura nas normas de convivência democrática e, sobretudo, uma atrocidade contra a soberania do sufrágio universal”; nsse sentido, avalia Belluzzo, o governo do vice Michel Temer será “ilegítimo”, e o país viverá um período de “confusão e turbulência”, que lhe “custará muito caro”

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho – Para o economista e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff significa “uma ruptura nas normas de convivência democrática e, sobretudo, uma atrocidade contra a soberania do sufrágio universal”. Nesse sentido, avalia Belluzzo, o governo do vice Michel Temer será “ilegítimo”, e o país viverá um período de “confusão e turbulência”, que lhe “custará muito caro”.

“Estamos entrando em período no qual vamos ser governados por um governo ilegítimo. Para mim, não tem legitimidade nenhuma. Acho até que se os cidadãos quiserem, se não concordarem, param de pagar imposto, porque o governo não é legítimo, ele é usurpado”, disse o economista, em entrevista por telefone ao Portal Vermelho, nesta quarta-feira (11).

No dia em que o Senado votava a admissibilidade do pedido de impeachment, Belluzzo pediu desculpas à reportagem pela “dureza” das declarações. E reforçou: “Se aqui houvesse coragem para a desobediência civil… Eu, por exemplo, não vou mais pagar imposto, porque acho que o governo é ilegítimo, não tem a chancela da soberania popular. Não é possível, é ilegítimo”, afirmou.

Questionado sobre os impactos dessa ruptura na economia, ele declarou que ainda é cedo para fazer análises, uma vez que nem o próprio Temer saberia ainda que medidas tomar – “uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra”, opina. Belluzzo, contudo, previu um período de grandes dificuldades para o país.

“Isso é uma trapalhada. (…) Pode ter um período de graça, que vai ser seguido de uma sucessão de períodos de turbulência, de inquietação. Essa interrupção de um governo democrático é muito grave. Como você acha que a economia vai ficar bem se as pessoas estarão inquietas? O negócio da legitimidade é seríssimo”, defendeu.

De acordo com o professor, Michel Temer deverá implementar uma série de reformas “desagradáveis” e antipopulares, como a trabalhista, a previdenciária e tributária. “Vejo período de enorme confusão no futuro (…). Ele vai ter que passar as reformas e vai ter muita oposição, não falo nem do Congresso, mas de uma parte da população que será atingida. Isso é muito grave”, avalia.

O economista destacou que as “medidas dolorosas” a serem implementadas vão prejudicar o povo. “Sempre que eles falam que vão ter que tomar medidas duras são contra quem? A sociedade é formada de interesses contrapostos, que precisam ser mediados, negociados e o que eles estão fazendo é romper com as regras. Essa é a questão central. O efeito sobre a economia pode ser até favorável no início, mas depois vai começar a aparecer essa insuperável realidade, que é a da não convergência dos interesses”, disse, defendendo que tal convergência só é possível na “negociação democrática e através de instituições legítimas”.

Segundo Belluzzo, “a reputação do Brasil está muito rebaixada” diante do atropelo à democracia. “Não é bom o que isso que está acontecendo. Vai nos custar muito caro. É um retrocesso grave. A gente achou que a democracia estava consolidada que ia avançar, mas é uma ilusão, como disse um amigo meu. Não está”, lamentou.

Prevendo um cenário de “agudização da luta social”, ele teceu críticas ainda à proposta de desvinculação dos gastos constitucionais com Saúde e Educação – algo que integra a plataforma do PMDB, Ponte para o Futuro, e tem sido apontado como uma das ações para um provável governo Temer.

“O que vai acontecer? Conhecendo o Congresso como ele é, isso vai virar emenda parlamentar. Vão passar a mão no dinheiro [da desvinculação]. Só um bobo acha que vão desvincular para melhorar a qualidade do gasto. Até porque não tem mais dinheiro para campanha eleitoral. Vai ser uma ponte aqui, um buraco ali, tudo com o dinheiro da Saúde e da Educação”, condenou.

Fonte: Portal Vermelho

Postado por: Brenno Soares

 

Perry Anderson: A crise no Brasil

Por Perry Anderson (https://blogdaboitempo.com.br/category/colaboracoes-especiais/perry-anderson/)

Os países dos BRICS estão em apuros. Por um tempo eles foram os dínamos do crescimento global enquanto o Ocidente estava envolto na pior crise financeira e recessão econômica desde a Grande Depressão, mas agora eles se tornaram a principal fonte de preocupação nos quartéis-generais do FMI e do Banco Mundial. A China, acima de todos eles, por causa do seu peso na economia global: produção desacelerada e um Himalaya de dívidas. A Rússia: sitiada, com a queda dos preços do petróleo e as sanções tirando seu quinhão. A Índia: segurando melhor as pontas, mas com preocupantes revisões estatísticas. A África do Sul: em queda livre. As tensões políticas emergem em cada um deles: Xi e Putin respondem às tensões com força bruta, enquanto Modi vai se afundando nas pesquisas e Zuma é jogado na lama junto com seu próprio partido. Todavia, em nenhum outro lugar as crises política e econômica se fundiram de forma tão explosiva quanto no Brasil, cujas ruas no último ano viram mais manifestantes do que o resto do mundo combinado. Continuar lendo Perry Anderson: A crise no Brasil

A dimensão estratégica internacional do “golpe” branco sendo aplicado no Brasil

“As operações de tipo ‘corações e mentes’, a exemplo da ‘greve dos caminhoneiros’ de 2015, culminando com o primeiro dos atos massivos convocados pela nova direita ideológica — mobilizada por lideranças treinadas pelos canais de financiamento da Fundação Koch e da Atlas e retroalimentadas pelos grandes grupos de mídia —, pareciam cumprir um roteiro pré-traçado, como o desabastecimento que ocorre na Venezuela ou mesmo a sabotagem econômica sofrida por Salvador Allende a partir do final de 1971”, escreve Bruno Lima Rocha, professor de Ciência Política e Relações Internacionais. Continuar lendo A dimensão estratégica internacional do “golpe” branco sendo aplicado no Brasil

Em corte adicional, Educação perde R$ 4,2 bilhões e PAC, R$ 3,2 bilhões

Decreto detalhando bloqueio foi publicado em edição extra do ‘Diário Oficial’. Segundo governo, corte de R$ 21,2 bilhões visa atingir meta fiscal de 2016.

O Ministério do Planejamento divulgou nesta quarta-feira (30), por meio de edição extraordinária do “Diário Oficial da União”, mais detalhes sobre o bloqueio extra de R$ 21,2 bilhões, anunciado na semana passada.

Segundo os números do governo federal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teve seu limite de gastos limitado em R$ 3,21 bilhões, com a autorização para despesas, em todo este ano, caindo de R$ 26,49 bilhões para R$ 23,28 bilhões.

Neste mês, após a cerimônia de posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff publicou um decreto que transfere a gestão do PAC do Ministério do Planejamento para a Casa Civil. Lula, porém, ainda não assumiu o cargo porque teve a nomeação suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.

Minha Casa Minha Vida
O anúncio aconteceu no mesmo dia em que o governo lançou, em uma cerimônia no Palácio do Planalto, a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida(MCMV), que terá a meta de entregar 2 milhões de moradias populares até 2018. O MCMV está dentro do PAC.

Nos dois primeiros meses deste ano, os gastos do PAC já haviam recuado. Segundo números do Tesouro Nacional, as despesas do PAC caíram 6,8%, para R$ 6,96 bilhões, contra R$ 7,46 bilhões em igual período do ano passado.

Já as despesas do Minha Casa Minha Vida tiveram uma queda mais forte ainda no primeiro bimerstre. Os números oficiais mostram que esses gastos somaram R$ 1,24 bilhão em janeiro e fevereiro deste ano, contra 2,75 bilhões no mesmo período do ano passado – uma queda de 54%.

Corte por ministérios
Os números do novo decreto de limitação de gastos divulgado pelo governo federal mostram que o Ministério da Educação foi fortemente afetado pelo novo bloqueio de gastos.

De acordo com o governo, o Ministério da Educação teve seu limite de empenho para gastos discricionários (excluindo o PAC e as despesas obrigatórias) diminuído em R$ 4,27 bilhões para todo este ano.

Já o Ministério da Saúde teve seu limite para gastos reduzido em R$ 2,28 bilhões, enquanto o Ministério da Ciência e Tecnologia teve seu orçamento para todo este ano diminuído em R$ 1 bilhão. O Ministério de Minas e Energia teve seu limite cortado em R$ 2,13 bilhões e o Ministério da Fazenda “perdeu” R$ 827 milhões.

O Ministério da Defesa, por sua vez, teve seu limite para gastos para o ano de 2016 reduzido em R$ 2,13 bilhões, ao mesmo tempo em que o Minsitério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome teve seu orçamento cortado em R$ 827 milhões.

Bloqueio adicional
O corte adicional no orçamento deste ano, anunciado na semana passada, se somou ao bloqueio de R$ 23,4 bilhões que havia sido autorizado em fevereiro. Com isso, o corte total, na peça orçamentária de 2016, chega a R$ 44,65 bilhões.

Segundo o governo, o novo bloqueio de gastos no orçamento deste ano visa cumprir a meta de superávit primário, isto é, a economia para pagar juros da dívida pública, de R$ 24 bilhões para o governo central – União, Previdência Social e Banco Central – fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano.

Nesta semana, porém, o governo encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de lei que altera a meta fiscal deste ano e autoriza um déficit de até R$ 96,65 bilhões em suas contas em 2016. 

Ao anunciar que o governo enviaria o projeto, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, informou que ele contempla a “reversão” desse corte adicional de R$ 21,2 bilhões nos limites para gastos – cujo detalhamento saiu nesta quarta-feira (30).

Fonte: G1

SEMINÁRIO – CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS

CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS 
Impasses da EBSERH e a construção de um projeto à altura das complexas questões dos Hospitais Universitários
29 DE MARÇO/2016 – TERÇA – 8h30m Local: Fórum Autran Nunes, na Av. Tristão Gonçalves, esquina com Pedro I.

 

            Uma regra não escrita vigora na saúde (e não só) do Brasil: é proibido pensar uma saída diante de uma crise que acarretou o caos na saúde brasileira. Ela tornou-se inviável. Prevenção quase não existe. O exemplo do Aedes aegypti está aí. As políticas públicas geraram o caos. E saúde passou a custar o olho da cara. E no entra e sai de governo tudo muda, para nada mudar.

            150 milhões de brasileiros recorrem ao SUS. 50 milhões têm plano de saúde. Saúde pública virou uma calamidade. A privada se degenera. E, apesar dos esforços dos profissionais, o ensino, a pesquisa, a extensão e a própria prática das questões da saúde não estão à altura dos desafios do século XXI.

            Ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, endoscopias, cateterismos e outras tecnologias fornecem imagens nítidas e dão ideia do funcionamento dos órgãos internos das pessoas. No entanto, a utilização dessa tecnologia está proibida para milhões de brasileiros(as).

            A luta contra as demissões no Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC aumentou a nossa consciência e o nosso compromisso para uma resposta à gravidade da crise da saúde pública.

            Nessa batalha constatamos que a criação da EBSERH pelo Governo Lula/Dilma agravou ainda mais o quadro das unidades hospitalares universitárias. Nossa reflexão e luta nos possibilitaram o conhecimento de inúmeras denúncias em todo o Brasil, expondo a verdadeira face da EBSERH: inconstitucionalidade, imoralidade, ilegitimidade, privatização dos hospitais universitários, quebra da unidade entre ensino, pesquisa e extensão, restrições à autonomia da própria Universidade, tentativa de cessão dos funcionários estatutários à referida empresa, imposição de demissões de milhares de trabalhadores(as) em todo o Brasil, etc., etc..  No Ceará, além disso, denúncias apontam para assédio moral, desrespeito a direitos e péssimas condições de funcionamento das referidas unidades de saúde, que vêm se agravando com o processo de demissão dos trabalhadores(as) vinculados à SAMEAC. E o que é mais grave, não há espaço para uma discussão aberta, arejada, tendo em vista a gravidade da situação.

              Agora, você está sendo convidado(a) para participar de uma reflexão e tomada de medidas para enfrentar e começar a resolver a luta sobre essa temática. Esse é o objetivo do  Seminário que será realizado no dia 29 de março com o tema “Crise e Desafios da Saúde Pública: Caos, Privatização e Perspectivas – Impasses da EBSERH e a construção de um projeto à altura das complexas questões dos hospitais universitários” com a presença de vários(as) convidados(as).

            Renovamos convocação para a Audiência na Justiça do Trabalho no dia 30 de março, às 8h30m, quando realizaremos manifestação em solidariedade à luta dos companheiros contra as demissões. Será no Fórum Autran Nunes, na Av. Tristão Gonçalves, esquina com Pedro I.

            Você não pode perder essa reflexão e essa luta. Participe! Colabore!

            Vamos construir um futuro diferente para a nossa gente aqui, no Brasil e no Planeta!

 

SEMINÁRIO CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA:

CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS –

Impasses da EBSERH e a construção de um projeto

à altura das complexas questões dos Hospitais Universitários

 

 

29 DE MARÇO/2016 – TERÇA – 8h30m

 

 EXPOSITORES:

 MDTS, CRÍTICA RADICAL, Dr. Jorge Darze (RJ) /

Dr. Darley Wollmann (PR) / Dr. Paulo Everton (Ce)/

 Dr. Clóvis Renato (Ce)

 

PROMOÇÃO/APOIO:

 MDTS / CRÍTICA RADICAL / C.A. Medicina / SENECE / CREFITO 6 / CESAU / Fórum em Defesa do SUS / SINDMEDCE / SINTUFC / CBJP / SINDIODONTO /

SASEC / CRESS / AFBNB /SINTAF / SINDPD / UMC, …

 

Obs: O Dr. Jorge Darze é Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, integrante da Diretoria da FENAM (Federação Nacional dos Médicos), membro da ABRAMES (Academia Brasileira de Médicos Escritores) e da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde.

         O Dr. Darley é Diretor do Sindicato dos Médicos do Paraná e da FENAM (Federação Nacional dos Médicos), Servidor do Complexo Hospitalar da UFPR e integrante da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde.