Minuto Assembleia – Governo Federal anuncia prorrogação do Auxílio Emergencial

MINUTO ASSEMBLEIA

Reportagem: Luciano Augusto

Entrevistado: Cid Alves, Carlos Alexandre e Fernando Pires

MINUTO ASSEMBLEIA | Governo Federal anuncia prorrogação do auxilio emergencial. YouTube, 01 jul. 2020 

A seguir: veja na íntegra a entrevista concedida pelo Prof. Fernando Pires (UFC) para a Assembleia Legislativa sobre esse tema.

Auxílio Emergencial: Veja a resposta completa do Prof. Fernando Pires sobre a liberação das parcelas. YouTube, 02 jul. 2020


Postado por: George Assunção

Postado em: 02/07/2020

Memórias de Quarentena 30 – O Professor de lata na desconhecida estrada da quarentena

Por: José Maclecio de Sousa(*)

Vamos para mais de dez semanas nesta estrada sem tijolos amarelos da Quarentena do Covid-19. Antes disso, a despeito das sabedorias ancestrais e populares e de projeções científicas, algumas distopias socioambientais já destoavam do movimento maior que é a vida. Forjadas pela modernidade e suas artimanhas necrocapitalistas, aprofundaram a cinzenta narrativa do acúmulo e da exploração social e da natureza como objetos.

Desse prelúdio, o Corona Vírus se fez um ciclone intenso que provocou grande reboliço nas existências. Fomos convocados à resistir com novos sentidos, pelo desejo mesmo de estarmos vivos com os nossos, nos afetando pela dor do outro, descortinando a diferença abissal de como a Pandemia se manifesta nas esquinas do mundo. Ademais, quando os negacionacionistas assaltam e aprofundam essa realidade, nos cabe toda a sorte de insurgência como resposta a ignorância, a mentira descabida e a perversidade que compõem a política de morte imposta no Brasil.

A caminhada na estrada da Quarentena nos exige novas decifrações deste mundo, paradoxalmente velho e novo. Dependendo do jogo de lentes, como um decreto de fim da história, vamos sobreviver a reprodução contínua da nossa crise civilizacional? Ou este enredo atingirá o seu clímax e com a sorte e magia de um condão, cumpriremos a promessa dos desejos realizados, finalmente chegando à Cidade das Esmeraldas, refeita na ideia inebriante do novo normal?

Imaginem vocês, logo eu que tanto desejei ter um coração, para pulsar nas escolas as batidas da amorosidade, do diálogo e da esperança da pedagogia de Paulo Freire, tendo que pensar e interagir com as máquinas do ensino remoto, quando estimativas indicam que 58% das residências brasileiras não têm computadores e 33% não têm internet!

No privado das plataformas digitais e mídias sociais que uso, alguns escassos sinais disso, “professor, por favor, me envia as suas atividades, não tive como acessar antes”, “professor, não deu para assistir o vídeo porque a internet do celular do meu pai é restrita e só posso fazer a atividade depois que ele chega do trabalho”.

O sinal mais agudo é o do silêncio, que comunica um apagamento que recai sobre a quase totalidade de cerca de 250 educandos que tenho. Nesta semana, um colega de trabalho transformou isto em um gráfico, do tipo pizza por turma que dá aula, e as fatias de não retorno das atividades dos seus alunos, leia-se, dificuldades muito variadas de acesso às atividades remotas desenvolvidas pela escola, eram enormes.

Em meio aos nossos esforços, algumas opiniões descontextualizadas ressignificam a desculpa precária e antipedagógica da falta de interesse dos alunos pelas aulas, desta vez pelas atividades remotas, como se a medida das realidades adversas que atravessam os nossos alunos se desse a partir das nossas vivências de quarentenados com o wifi, nas condições das nossas casas, dos nossos passeios virtuais de live em live, de sala em sala virtual, deslizando o dedo pela time line do Facebook e do Instagram, produzindo e vasculhando stories.

É mais do que oportuno pensar que 130 mil famílias de Fortaleza encontram-se em moradias com estrutura inadequada, de onde uma parcela significativa dos nossos educandos vivem. Que tipo de acesso e meios de estudos possuem? Será que eles e suas famílias conseguem seguir a quarentena conforme as recomendações da OMS? Como estão vivendo a Pandemia e se sentindo? Façamos uma honesta e boa leitura crítica das realidades e desigualdades existentes, ampliadas pelos impactos da Pandemia!

Com o coração nas mãos, confesso não me surpreender sobre as precariedades que descrevi, não apenas pela continuidade dos problemas sociais no Brasil, que infelizmente regrediram consideravelmente nos anos recentes. No âmbito da gestão da política nacional de educação, convivemos com a postura negacionista da Pandemia, materializada pela gravíssima falta de ação e cooperação com esta problemática no sistema escolar. Em outra medida, nas esferas estaduais e municipais o teor colonizador da prática educativa pela política de avaliação e resultados, fizeram com que gestores e profissionais da educação parecessem inicialmente perdidos na tarefa necessária de repensar os nossos fazeres escolares na Quarentena.

Logo testemunhamos uma demora considerável, marcada pela falta de diálogos e de gestão nacional do sistema escolar. Se considerarmos que as leituras dos impactos da Pandemia na China e em países europeus nos deram uma chance importante de organizar o pensamento e ação sobre a realidade brasileira, nós a perdemos e agora estamos às voltas com o sério problema da exclusão escolar, agravada quando pensamos a condição da população negra do país.

Ainda assim, o nosso andar vacilante e doído pela estrada sem tijolos amarelos da Quarentena, é compreensível, como fora o de Dorothy que não conhecia bem a Terra de Oz. Com as parcerias costuradas, o seu coletivo resolveu dilemas, enfrentou perigos, descortinou grandes farsas, libertou-se e libertou prisioneiros, superou vilanias e assim desvelou e tornou consciente a potência que gera a comunhão de vidas e saberes.

A maioria de nós conhece o final do enredo da menina e de seus amigos, bem como a falácia que é a Cidade das Esmeraldas, o nosso porém, encontra-se inconcluso e aberto. Quem sabe a metáfora do Professor de Lata, com o coração tocado pela Pedagogia do Oprimido e da Esperança, contribua para que o nosso aliançamento com outros seja possível, e nos oportunize pensar, sentir e agir juntos abordagens escolares que, durante e após esta Quarentena, estejam em sintonia com uma política educacional potencializadora de re-existência e de inclusão, em outras palavras, preenchidas de vida.

(*) José Maclecio de Sousa – Professor da Rede Municipal de Ensino de Fortaleza

Postado em: 01/07/2020

De Bala em Prosa: Vozes da Resistência ao Genocídio Negro

De Bala em Prsa

Descrição

O que dizer diante do permanente genocídio negro cometido pelo Estado brasileiro? Como descrevê-lo? De que maneira expressar a justa revolta pelo rastro de sangue que os projéteis oficiais deixam nas periferias das grandes cidades? De bala em prosa reúne textos de autores e autoras negras. São pessoas diretamente impactadas pela escalada da violência fardada no país. A gota d’água que os levou a escrever — mais uma dentre tantas que historicamente já transbordaram qualquer nível mínimo de civilidade — foi a morte de um músico e um catador de materiais recicláveis no Rio de Janeiro em abril de 2019. Negros, ambos foram assassinados pelo Exército, que disparou “por engano” o que no momento foi divulgado como “oitenta tiros” — mas que, na verdade, eram 257 — contra um carro que os militares “acharam” que tinha sido roubado. Os soldados mentiram, os governantes desconversaram, a imensa maioria da população permaneceu indiferente. Pipocos contra gente preta já viraram rotina, não causam a comoção que deveriam nem quando chegam à casa das centenas. A quem minimamente resolveu se perguntar por quê, afinal, as autoridades fariam tamanha barbaridade contra cidadãos a caminho de um chá de bebê em um domingo à tarde, os textos desta coletânea respondem de diversas maneiras, em diversos estilos e sob diversos pontos de vista, mas sempre com o peso da experiência de quem sabe que, pela cor que indelevelmente carrega na pele, está na mira do fuzil — e pode ser o próximo a engrossar as estatísticas. Eis o grito que ressoa em cada uma destas linhas. Quem escreve aqui escreve a partir de um cotidiano claustrofóbico de violência e preconceito, com raízes bem fincadas na escravidão. Angústia e sensação de impotência escorrem pelas vírgulas e pontos finais. Mesmo os textos mais otimistas estão empapados de sangue. Boa parte deles se direciona não apenas ao poder estatal que controla, reprime, encarcera e mata, mas aos poucos brancos que conseguem enxergar o racismo estrutural brasileiro, mesmo sem senti-lo ou compreendê-lo. Respire fundo. Destilado nas próximas páginas está o apelo de quem, com a garganta entalada, quis transmitir aos vivos a voz dos mortos — e dos sobreviventes. O genocídio precisa acabar.

Baixe aqui: De bala em prosa

 

Postado por: George Assunção

Postado em: 29/06/2020

Festival Carta da Terra 20 anos – Transformando a consciência em ação

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O Festival Carta da Terra 20 anos – “CT +20”, que acontece no dia 29 de junho, em várias mídias virtuais, a partir das 19h, é um movimento internacional para celebrar o aniversário de 20 anos desse importante documento e sua aplicação por instituições e cidadãos no mundo todo. Reunindo grandes nomes da arte, espiritualidade e do ativismo socioambiental.

Em clima de celebração, o festival pretende unir forças e propor uma profunda reflexão sobre mudanças necessárias para o mundo, baseada nos pilares da Carta da Terra: I. Respeitar e cuidar da comunidade da vida; II. Integridade ecológica; III. Justiça social e econômica; IV. Democracia, não violência e paz. O propósito do festival é reforçado também pela necessidade da união e da força do bem em tempos de pandemia.

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Nome: Festival Carta da Terra 20 anos
Data: 29 de Junho
Horário: 19h00

Canais de Transmissão pelo Youtube:
Canal da Carta da Terra Internacional (Canal Principal)
– ECInternational: https://www.youtube.com/user/ECInternational

Tv Comunitária de Brasília DF
– Tvcomdf: https://www.youtube.com/user/tvcomdf

Márcia Stival Assessoria
– MarciaStival – https://www.youtube.com/user/MarciaStival/

Canais de Transmissão pelo Facebook:
@EarthCharterInternational
@CartadelaTierraInternacional
@alternativaterrazuldf
@unipazuniversidadeinternacionaldapaz
@unipazdf.universidadetransdisciplinar.br

Realização:
– Fundação Grupo Esquel Brasil
– Associação Alternativa Terrazul
– Carta da Terra Internacional
– Teia Carta da Terra Brasil (comitê criativo do festival, composto por 41 instituições)

Postado por: George Assunção

Postado em: 29/06/2020

Memórias De Quarentena 29 – Mulheres, maternidade e trabalho doméstico em dias de pandemia

Por: Michely Peres de Andrade e Maria Alda de Sousa Alves(*)

Isolamento e distanciamentos sociais. Cansaço, medo, irritabilidade, paciência e resiliência. São práticas e sentimentos que se tornaram palavras de ordem em nossas vidas cotidianas, modificando-as completamente. Como mensurar tais práticas e sentimentos? Como compreender a subjetividade de mulheres, mães e trabalhadoras em tempos difíceis de crise pandêmica?

Nos últimos anos, observa-se que os homens têm se esforçado mais em direção a uma paternidade ativa, compartilhando com suas companheiras as responsabilidades do cuidado com as crianças e com o trabalho doméstico.  Por outro lado, essa mudança comportamental parece ser muito circunscrita a uma fração da classe média e, mesmo entre esses homens, trata-se de uma demanda cultural ainda não muito próspera ou bem resolvida nas suas emoções e masculinidade. Com o passar do tempo, falta a esses pais a iniciativa para as práticas de cuidado e as mulheres se veem na incumbência exaustiva do planejamento sem fim.

Em outras palavras, os homens fazem, mas não por iniciativa própria, fazem porque as suas parceiras precisaram planejar cada detalhe, roteirizando diariamente a divisão dos cuidados com a casa e com os filhos. Em cada situação inusitada do cotidiano, lá está a mulher a pensar em soluções, alternativas ou novas formas de cuidado.

A naturalização do trabalho doméstico como uma construção cultural inerente ao cotidiano das mulheres, somada às imposições sociais experimentadas no tocante aos cuidados com os mais velhos e as crianças, ou seja, com a manutenção das relações familiares, tendem a representar um tipo de dominação que se acentua não somente no plano das desigualdades econômicas, decorrentes da construção de papeis de gênero, mas também nas diferentes formas de produção de violências simbólicas.  

Somando-se às desigualdades vividas no âmbito privado, empresas, instituições de ensino e órgãos públicos continuam despreparados para receber as mulheres e suas crianças no ambiente de trabalho ou estudo. Estamos falando de mulheres trabalhadoras e assalariadas, que, além dos cuidados com a casa e com os filhos, precisam responder de modo “eficiente” às exigências do mercado de trabalho e da sua profissão.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizado em 2018, apontou que metade das mães que trabalham são demitidas até dois anos depois que acaba a licença maternidade, uma vez que “a mentalidade que ainda vigora é a de que o cuidado com os filhos é de exclusiva responsabilidade das mulheres”. Outra pesquisa mais recente, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e divulgada no final de abril de 2020, revela que a chegada de um filho pode impactar a vida das mulheres brasileiras em quase oito vezes mais do que a dos homens.

Como mulheres acadêmicas, também sentimos na pele os impactos da desigualdade de gênero. Se fizermos a comparação da produção de artigos e trabalhos científicos de homens e mulheres que possuem filhos da mesma faixa etária, a diferença é brutal. Já parou para perguntar a algum colega de profissão quem fica com os filhos enquanto ele escreve seus artigos e realiza suas pesquisas? Quem cuida da limpeza da casa? Estariam eles remunerando de forma razoável as trabalhadoras domésticas por tais serviços?

Desde os anos 1970, feministas negras, como Angela Davis e Lélia Gonzalez, chamam atenção para a forma como patriarcado, capitalismo e racismo se entrelaçam e se reforçam mutuamente, uma vez que o trabalho doméstico feminino não remunerado ou mal remunerado está na base desse modelo econômico, como uma espécie de “benfeitor” invisível. A situação é ainda mais grave nas sociedades com forte legado colonial e escravocrata.
Em tempos de Covid-19, torna-se ainda mais evidente a tradicionalíssima divisão do trabalho doméstico, que sobrecarrega as mulheres na sua jornada tripla diária. Diante da uberização das relações de trabalho, como tem sido vivido o isolamento social por mães trabalhadoras nas periferias e favelas? Boaventura de Sousa Santos, em produção de 2020, chama atenção para os grupos que estão ao Sul da quarentena.

Os corpos racializados e generificados são aqueles que mais sentem os impactos da cruel pedagogia do coronavírus, sendo as mulheres um grupo social que vivencia, de modo intenso, o atual cenário global de pandemia. São elas consideradas as “cuidadoras do mundo”, as trabalhadoras informais e autônomas, as empregadas domésticas, aquelas que convivem com a violência dentro de casa, as enfermeiras que estão na linha de frente, as assistentes sociais. Podemos citar ainda as mulheres transgêneras, as idosas, as mulheres que portam deficiências ou mães de pessoas com deficiência e tantas outras, face à lógica reinante do capacitismo, já vivem uma espécie de “quarentena original”.

O que dizer da medida tomada pela prefeitura de Belém, em 6 de maio, que incluiu a atividade de empregadas domésticas como essencial durante a pandemia? Decisão que demonstra o legado de quatro séculos de escravidão. O que dizer ainda do caso do menino Miguel, de 5 anos, que teve a vida perdida, em 2 de junho, ao cair do nono andar de um prédio, por negligência da patroa de Mirtes, sua mãe e empregada doméstica, que trabalhava para a família do prefeito de Tamandaré, em Recife? Quais mães têm direito à proteção e à quarentena? Quem cuida dos filhos das trabalhadoras?

No Brasil do século XXI, as condições materiais de existência da classe trabalhadora parecem estar longe de encontrarem alguma dignidade. Na atual crise pandêmica, tais condições tornam-se ainda mais agudas, estando os pobres condenados a vivenciarem os efeitos mais perversos, decorrentes de contaminações pelo coronavírus.
Lélia Gonzalez, em artigo intitulado “Por um feminismo afro-latino-americano”, de 1988, afirmou que era indispensável à luta feminista a inclusão das mulheres que se encontram na base e nas margens do sistema capitalista. São as mulheres indígenas, negras, quilombolas e periféricas, historicamente desumanizadas, que nos ajudarão a construir novas estratégias de luta contra as desigualdades e novos sentidos para o bem viver. 

Somos mães de duas meninas. Amamos nossas filhas e a potência da maternidade mobiliza as nossas ações e expande os nossos horizontes. Elas nos revolucionam internamente! Nos abre ao novo! Nossas filhas nos trazem a alegria e a esperança de que dias melhores virão. Porém, faz-se necessário denunciar como as desigualdades de gênero acabam alimentando e reforçando as desigualdades de classe e raça de forma ainda mais exacerbada em tempos de pandemia. O machismo, que tantas de nós acreditamos estar enfraquecido, segue o seu curso de forma ainda mais astuta. É preciso manter-se atenta e forte! É preciso saber lutar como uma mãe!


(*) Michely Peres de Andrade Professora da Universidade Estadual do Ceará – UECE, Maria Alda de Sousa Alves Professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afrobrasileira – UNILAB-CE.

Postado Por: Das Chagas Martins

Postado em: 28/06/2020

MANIFESTO PELA UNIDADE DA ESQUERDA EM FORTALEZA

Um Chamado à Luta e à Esperança.

Este é o chamado que os Abaixo Assinados – militantes dos mais diversos movimentos sociais, trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas categorias, preocupados com os rumos de nossa cidade e de nosso país, fazem às direções e à militância do PT, PCdoB, PSOL, PCB e Unidade Popular em relação às eleições municipais que se avizinham.

Lutar por Este é o chamado que os Abaixo Assinados – militantes dos mais diversos movimentos sociais, trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas categorias, preocupados com os rumos de nossa cidade e de nosso país, fazem às direções e à militância do PT, PCdoB, PSOL, PCB e Unidade Popular em relação às eleições municipais que se avizinham, contra o fascismo, pela saúde para todas e todos e por uma sociedade – e uma cidade – mais igualitária, fraterna, solidária ecologicamente sustentável e digna de se viver,  são objetivos que nunca estiveram tão ligados entre si, como nesse momento histórico.

O desgoverno Bolsonaro potencializa e amplifica todos os piores aspectos da crise. Sua postura é do mais absoluto desprezo à vida, seja em relação ao combate à pandemia do Covid 19, seja na ausência de medidas para minimizar efetivamente os impactos econômicos da crise. É um governo que não quer salvar nem vidas nem empregos. Milhares estão morrendo e milhões estão perdendo seu sustento, e o genocida   pergunta: “E daí”?

Esse governo de compulsão pela morte precisa ser derrotado. Essa luta passa pela organização do povo – trabalhadoras e trabalhadores, micro, pequenos e médios empresários, servidores públicos – e  também pela unidade das forças de esquerda nessas eleições municipais.

Fortaleza não está imune às tragédias econômicas e sanitárias que estamos assistindo país afora. Ao contrário, o sofrimento de seu povo será ainda maior.

A crise atinge uma cidade historicamente apartada socialmente, provocando ainda mais exclusão e miséria. Isso exigirá das forças políticas de esquerda generosidade e capacidade de se unificarem ao máximo, para que possam ter melhores condições de garantir a vitória de um programa político cuja alma seja a solidariedade, a inclusão social e a ampliação radical dos espaços de participação popular e democrática.

Solidariedade deve ser a nossa marca para superarmos a tragédia sanitária, social, politica e econômica que está infringindo sofrimento a milhares de famílias. Unidade, ousadia e combatividade para construirmos experiências radicalmente democráticas de governança participativa e popular.

Generosidade para abrirmos mão de objetivos e interesses específicos, para abraçar um projeto coletivo de reconstrução social e ambiental para nossa cidade em contraponto a projetos elitistas que privilegiam interesses de mercado e também derrotar aqueles que flertam com o fascismo bolsonarista.

Nas forças políticas de esquerda e anti-fascistas está a responsabilidade para construir, através da unidade, a vitória da defesa da vida em todos os seus aspectos, diante do obscurantismo. As decisões agora adotadas terão reflexo na vida de milhões de homens, mulheres, velhos, jovens e crianças, negros, negras, pessoas com deficiências e LGBTs. Pessoas que vivem à margem e que buscam à partir das periferias realizar seus sonhos.

Fortaleza, 13 de junho de 2020

 

Unidade da Esquerda Para Derrotar o Fascismo!

Por Uma Fortaleza Democrática, Socialmente Igual e Ambientalmente Sustentável! Pela Vida! Pela Democracia!

 

Postado Por: Das Chagas Martins

Postado em: 25/06/2020

 

Memórias de Quarentena 28 – A Vida dos Camponeses Importa: Direito à Água

Por: Pedro Henrique Augusto, Medeiros, Pedro Antonio Molinas e José Carlos de Araújo (*)

No último dia 10 de maio, lemos com certa surpresa o artigo intitulado “60 mil barragens trazem impacto para açudes estratégicos do Ceará”, publicado no “Diário do Nordeste”. Nossa surpresa não se deve à afirmação de tal impacto, mas ao que parece uma atribuição injusta de ‘culpabilidade’ dessas estruturas para a crise hídrica que assola, não apenas o semiárido brasileiro, sendo um problema em escala global.

Pesquisamos o sistema de barragens – das pequenas às muito grandes – há mais de vinte anos. Nossa surpresa em relação ao referido artigo não se deve, portanto, ao argumento de que pequenos açudes impactam o aporte hídrico aos açudes estratégicos, mas porque questões essenciais não são abordadas: qual é a magnitude do impacto dos pequenos açudes no sistema hídrico? Há consequências positivas dessa rede de açudes para a sociedade cearense?

Os levantamentos sobre quantidade de pequenos açudes baseiam-se em imagens de satélite. Portanto, a informação obtida se refere à quantidade e às áreas inundadas por essas estruturas. Daí a dificuldade de se avaliar o tal impacto em termos volumétricos.

Em 2019, desenvolvemos um método para estimar os volumes de pequenos açudes, a partir dessas informações das áreas inundadas (artigo publicado na revista científica da Associação Internacional de Ciências Hidrológicas), e utilizamos esse método para quantificar tal impacto. Utilizamos uma base de dados globais, publicada na prestigiada revista científica Nature, produzida a partir de 3,5 milhões de imagens do satélite Landsat nas últimas 3,5 décadas, para calcular os volumes dos reservatórios no Ceará. Esse estudo identificou aproximadamente 23.000 açudes, dos quais 94% (21.500 açudes) apresentavam capacidade de menos de 1 milhão de m³. Assim, apesar da grande quantidade de pequenos açudes detectados, estes são capazes de acumular apenas 5% de toda a capacidade de reserva de água no Ceará: 1 bilhão de m³. A título de comparação, sozinho, o Castanhão é capaz de acumular 6,7 bilhões de m³ ou mais de 30% da acumulação total do Estado.

Os pequenos açudes retêm parte da água que chegaria aos estratégicos, isso é fato. Mas a rede de açudes também promove impactos positivos sobre o sistema hídrico: i) retêm uma grande parcela dos sedimentos que são carreados pelo escoamento. Caso não existissem, os grandes açudes receberiam uma carga de sedimentos de aproximadamente o dobro da atual, resultando num assoreamento e perda de disponibilidade hídrica mais acelerada; ii) distribuem equitativamente a água em todo o território cearense, diminuindo os esforços para levar água para comunidades remotas e reduzindo os custos com energia para esse transporte de água; iii) são fundamentais para o desenvolvimento das economias locais e a subsistência das pessoas no meio rural.

Nesse momento de pandemia, a vida no campo nos garante o alimento na cidade. As atividades campesinas garantem o emprego a milhões de jovens que não teriam perspectivas de uma vida digna nas periferias das grandes cidades. A água – principalmente no semiárido – é elemento fundamental para a viabilização da vida e da produção no campo. Portanto, depauperar o campesinato de suas fontes hídricas é destiná-los aos grandes centros urbanos, que já não suprem as necessidades de sua população, principalmente em situações extremas, como a pandemia da Covid-19.

Uma questão que deixamos para reflexão do(a) leitor(a) é a questão ética. Por que não seria válida a retenção de água em pequenos açudes para os camponeses, ainda que fosse em detrimento do acúmulo de água em grandes açudes destinados ao abastecimento de grandes centros urbanos? Esta é uma reflexão que a sociedade cearense precisa fazer: armazenamos água para que e para quem? Aos que não reconhecem a importância dos pequenos açudes para a população rural do semiárido brasileiro, fazemos um convite para que saiam das grandes cidades para conhecer a realidade do sertão, com seus contrastes, sua beleza e, principalmente, sua gente.

Fortaleza, junho de 2020.


(*) Pedro Henrique Augusto Medeiros – Professor do IFCE, Idealizador do Projeto Água na Caatinga, Pedro Antonio Molinas Consultor em Recursos Hídricos e José Carlos de Araújo – Professor da UFC.

Postado por: Das Chagas Martins

Postado em: 24/06/2020

 

Pandemia do Covid- 19 no nordeste do Brasil.

Como os estados dos Nordeste estão lidando com as medidas de distanciamento social? Como estão os indicadores epidemiológicos na região? Quais são os critérios e indicadores que podem orientar as decisões dos governos estaduais em relação à flexibilização do distanciamento social? É possível flexibilizar agora? Essas e outras questões serão discutidas por pesquisadores do Nordeste e lideranças científicas no webinário “Pandemia da Covid-19 no Nordeste do Brasil: Situação Atual e Recomendações”, que ocorre nesta segunda, 22, às 14h.

Participe, sua presença é importante!

Data: 22/06 às 14h.

Acesso: youtube.com/cidacsfiocruz

Inscrições: bit.ly/2N5CUXQ

Postado Por: Das Chagas Martins

Postado em: 22/06/2020

Espaço de fortalecimento do controle social assente em informações, estudos, pesquisas e debates que suscitem análises críticas e propositivas quanto as políticas públicas no Ceará e no Brasil.