POR UM MUNDO MELHOR E SOCIALMENTE JUSTO

Fernando José Pires de Sousa

Por: Fernando Pires

Uma pergunta que tem me inquietado: será que nós conseguimos parar um pouco, em todas as dimensões, respirar, refletir sobre o mundo, a natureza, as diferenças, as injustiças, o amor e o futuro? Ou será que nunca faremos isto porque nunca nos daremos tempo para isto, nem na academia, nem na busca por realizações, nem na militância, nem nos batimentos cardíacos, na mente e na respiração? Nem na quarentena temos tempo?

Vamos mesmo ser guiados, ser conduzidos pela perspectiva da continuidade, do continuísmo, da recuperação do antigo dinamismo e sua intensificação, pelo produtivismo e ativismo, enfim, pelo frenetismo da concorrência e da competitividade frente a nós mesmos, aos outros e às instituições, como bem nos inculcou e disciplinou esta cultura do modo de civilização capitalista? Será que este aviso que obrigou o mundo a ficar em casa, sem ver mais passar aviões, nem carros, nem gente, não vai servir pra nada?

Não podemos encarar o possível fim desta pandemia como RETORNO, como simples volta à NORMALIDADE, porque foi justamente esta pseudo normalidade que provocou toda esta ANORMALIDADE que estamos sob provação. Portanto, não podemos ou devemos simplesmente esquecer tudo e continuar com uma normalidade que tudo destrói: o planeta, as relações, o amor, a esperança e a vida. Vamos todos gritar e dar as mãos e almas para a construção de uma outra “normalidade” que tenha na emancipação, na igualdade, na justiça, na coletividade, solidariedade, fraternidade e na felicidade como princípios fundamentais de uma outra civilização, de uma outra existência.

Por que não encaramos esta chance da “fatalidade” como substância revolucionária global? A revolução seria justamente a recusa do retorno, de voltar à normalidade que nos destrói, é precisamente o grande medo que os poderosos do capital têm, o não retorno ao normal. Se dissermos não, aproveitamos esta grande oportunidade, pela sua dimensão global, a começarmos uma revolução, no sentido de um verdadeiro movimento contra hegemônico.

(*)Professor da Universidade Federal do Ceará e Coordenador do Observatório de Públicas.

Postado por: George Assunção

Postado em: 06/04/2020

 

Uma consideração sobre “POR UM MUNDO MELHOR E SOCIALMENTE JUSTO”

  1. Parece-me que a “normalidade está a acompanhar a maior parte das pessoas dentro das suas casas; me parece que as pessoas não estão se permitindo repensar; não só os do sistema financeiro têm medo. Há os que submetidos aos sistemas têm medo de ousar um novo jeito. O um dos sinais é sentir falta do frenesi do estar na rua. Muita gente não consegue centrar-se na sua casa e em si. Como vai pensar uma relação diferente com o s sistemas.

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