Lowy e o Ecossocialismo: Suas ideias e lutas conectadas à Economia Ecológica

Entrevista do sociólogo e filósofo Michael Lowy, uma das referências mais importantes do pensamento anticapitalista, com a temática do perigo crescente da crise ecológica e sua importância como problema estratégico central para o marxismo.

Uma visão que traz a discussão já levantada por diversos autores, como Nicholas Georgescu-Roegen, apresentando a bioeconomia, deixa bem perceptível a capacidade autodestrutiva do capitalismo como sistema vigente na sociedade, transformando tudo em mercadoria e precificando o mais simples detalhe possível para se ter um “lucro” maior.

Aqui vai algumas perguntas feitas a ele e suas respostas sobre a influência racional e crítica da realidade e pensar: nós estamos fazendo a coisa certa?

Noam Chomsky tem afirmado nos últimos anos que a crise ecológica é mais importante que a crise econômica [2]. Qual sua opinião sobre essa frase?

Estou inteiramente de acordo com Chomsky! A crise econômica é grave, porque serve às classes dominantes, ao capital financeiro, para aplicar suas receitas neoliberais, agravando o desemprego, destruindo conquistas sociais, privatizando os serviços públicos etc. Mas a crise ecológica é algo muito mais importante e muito perigoso, porque ameaça as condições de vida da humanidade no planeta.

A que se você refere quando fala de um possível ecossuicídio planetário?

A civilização capitalista industrial moderna é um trem suicida que avança, com rapidez crescente, em direção a um abismo: as mudanças climáticas, o aquecimento global. Trata-se de um processo dramático que já começou, e que poderá levar nas próximas décadas a uma catástrofe ecológica sem precedentes na história humana: elevação da temperatura, desertificação das terras, desaparecimento da água potável e da maioria das espécies vivas, multiplicação dos furacões, elevação do nível do mar – até que Londres, Amsterdã, Veneza, Xangai, Rio de Janeiro e demais cidades costeiras fiquem debaixo d’água. A partir de um certo nível de elevação da temperatura, será ainda possível a vida humana neste planeta? Ninguém pode responder com segurança a esta pergunta.

O dito ecossuicídio planetário é uma situação hipotética, ou uma possibilidade concreta para as próximas décadas?

Cientistas como James Hansen – durante muitos anos o climatólogo da NASA, nos EUA – explicam-nos que as mudanças climáticas não se desenvolvem de forma gradual, mas sim com saltos qualitativos. A partir de um certo nível de aquecimento – 2 graus centígrados além das temperaturas pré-industriais – o processo se tornará irreversível e imprevisível. Isso pode acontecer nas próximas décadas, sobretudo se se confirmam uma série de evidências científicas recentes: derretimento do gelo dos polos mais rápida do que o prevista; maciças emissões de metano (um gás com muito maior efeito de aquecimento do que o CO2) pelo derretimento do permafrost na Sibéria, Canadá etc. Ninguém pode prever quando se dará a inversão, e portanto não têm sentido as previsões que se referem ao ano 2.100.

A Revolução Social é uma política anticapitalista que coloque a expropriação da burguesia e a tomada do poder pelos trabalhadores como um passo necessário para deter o desastre que se avizinha, ou para nos preparar para resistir ao colapso?

Deter o desastre é uma tarefa imediata. Cada tubulação de petróleo que se interrompe, cada central elétrica de carbono que se fecha, cada mata que se protege contra a voracidade destruidora do capital, detém o desastre. Mas só será possível impedir a ruína da civilização humana destruindo o sistema com uma revolução socioecológica.

Link da entrevista completa: http://outraspalavras.net/destaques/lowy-historia-razoes-e-etica-do-ecossocialismo/

Postado por: Marco Chrystian

 

 

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