Diplomação de indígenas e defesa da universidade pública marcam noite de colação

A solenidade de colação de grau da Universidade Federal do Ceará, na noite dessa segunda-feira (1º), fugiu ao protocolo que rege a cerimônia por causa dos 74 estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena das Etnias Pitaguary, Tapeba, Kanindé de Aratuba, Jenipapo-Kanindé e Anacé (LII Pitakajá), cujos caciques e pajés de cada um desses povos integraram o cortejo que se deslocou do Salão Nobre da Reitoria até a Concha Acústica, juntamente com as autoridades acadêmicas e demais representantes da sociedade civil.

Ao cerimonial foi acrescida, também, a fala da índia cacique Pequena, que se disse orgulhosa por presenciar a formatura dos indígenas, a quem pediu que “continuassem estudando” e chamou para dançar o torém “para festejar o momento”.
O Prof. Custódio Almeida, Vice-Reitor no exercício da Reitoria, fez uma conclamação aos formandos. Pediu que cultivassem, ao longo da vida profissional, a vinculação com a UFC, participando da construção “desta grande Universidade que precisa da defesa de todos nós”. Afirmou ainda que todos se dedicam à “permanente defesa do status de universidade pública e de sua autonomia; ao exercício da convivência democrática e do respeito ao pluralismo das ideais, à liberdade acadêmica, aos valores humanistas da solidariedade, do respeito aos direitos humanos e à natureza, e do reconhecimento das diferenças, sempre orientados para a construção da cidadania e de uma cultura de paz”.
Veja outras imagens da colação de grau no Flickr da UFC: https://goo.gl/63nuPJ
CONQUISTA DE TODOS – “Jamais se esqueçam de que a universidade pública gratuita é uma conquista de toda a sociedade”, enfatizou a Profª Sandra Tedde Santaella, do Curso de Oceanografia, ao discursar em nome do corpo docente. E acrescentou: “Vocês tiveram a oportunidade de estar aqui e de conseguir essa bela vitória, porque ao longo da história muitos outros lutaram e seguem lutando por uma educação de qualidade. Por isso, além de uma vitória de vocês, esse momento é fruto de uma conquista social, coletiva”, complementou.
Sandra Tedde disse ainda que “cada um precisa enxergar sua profissão como uma forma de contribuir para que a sociedade brasileira se torne mais justa, especialmente para com aqueles mais necessitados, que direta ou indiretamente contribuíram para essa conquista de vocês”.
Ao parabenizar os pais dos concludentes, a oradora afirmou que todos – “vendo suas crianças, hoje adultos, prontos para assumir nova postura na vida” – são vencedores e que os filhos serão eternamente gratos pelo que fizeram por eles.
DÁDIVA – Abrindo o pronunciamento com a definição da palavra “diploma”, que tem origem grega e significa “permissão, licença”, Camila Nottingham de Lima, graduanda de Odontologia escolhida para falar em nome de todos os formandos, afirmou que o percurso feito na Universidade passou por estágios, “como euforia, cansaço, revolta, esperança, e chegou à maturidade”. Admitiu ser uma dádiva ingressar e concluir o curso na UFC, reconhecendo não ter conseguido sozinha, e sim com o apoio dos pais, da família, dos amigos, do namorado que, como disse, “fizeram o curso comigo”. Saudou os colegas concludentes, fazendo questão de citar todos os cursos e faculdades, e afirmou sentir orgulho por fazer parte da formatura dos estudantes da Licenciatura Intercultural Indígena.
GRADUADOS – Receberam o diploma de formados pela UFC na noite de segunda-feira (1º) alunos de 25 graduações da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE), da Faculdade de Medicina (Famed), do Instituto de Cultura e Arte (ICA), do Instituto de Educação Física e Esportes (Iefes), do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) e do Instituto Universidade Virtual (UFC Virtual).
Hoje (2), serão graduados 386 alunos de 33 cursos do Centro de Ciências, Centro de Ciências Agrárias e Centro de Tecnologia. Amanhã (3) colarão grau 498 alunos de 14 cursos do Centro de Humanidades, da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC), da Faculdade de Educação (Faced) e da Faculdade de Direito.
Os 34 concludentes dos três cursos do Campus do Quixadá colarão grau sexta-feira (5). Em todo o ciclo, serão diplomados 1.475 estudantes de 72 graduações, entre bacharelados e licenciaturas.
Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC – fones: 85 3366 7331, 3366 7936 e 3366 7938
Fotos em anexo (Prof. Custódio Almeida; Torém; Cacique Pequena; e Camila Nottingham de Lima): Jr. Panela/UFC
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Diversidade étnica e espírito coletivo marcam 1º dia de colação em Fortaleza
O primeiro dia da colação de grau 2016.1 em Fortaleza, na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará, foi um verdadeiro “documento da raça, pela graça da mistura”, como bem disseram Fausto Nilo e Moraes Moreira na canção “Meninas do Brasil”, que celebra toda a beleza e diversidade de nosso País multiétnico. São origens e cores que se encontram, se completam. E, juntas, brilham mais.
Nesse caleidoscópio bonito de se ver, teve descendente de família europeia, como o Matheus Gunther Wirtzbiki, concludente de Odontologia, que carrega nos traços e no sobrenome um pouco do avô alemão. Foi um dos primeiros a chegar para a tão aguardada cerimônia. Como um dos principais ganhos dos vários anos de curso, ele aponta justamente o fato de “aprender a conviver com as pessoas”. Coisa que não se aprende só com livros e teorias. Aprende-se com o colega que senta ao lado, na sala de aula, no refeitório, no bosque, no ônibus. “A faculdade proporciona enriquecimento e amadurecimento”, reflete Matheus.
Veja outras imagens da colação de grau no Flickr da UFC: https://goo.gl/63nuPJ
Teve também George Simão, que, beirando os 40 anos de idade, conseguiu o tão sonhado diploma universitário, no Curso de Letras do Instituto UFC Virtual. George teve muitos méritos, claro. Mas sabe o que foi fundamental para ele conseguir isso? Ajuda, companhia, incentivo. Amigos. “Estou aqui graças a um conjunto de colegas, porque em um curso semipresencial a gente precisa demais um do outro. Quando tinha alguma dificuldade, a energia das pessoas mais novas me dava mais força”, reconhece.
Sabedoria de quem sabe que o tão falado verbo “tolerar” ainda é muito pouco. Bom mesmo é estar próximo, sofrer junto, rir junto, aprender junto. “Pra que somar, se a gente pode dividir?”, como já se questionavam Vinicius de Moraes e seu parceiro Toquinho. Ainda em relação à mistura, George dá outra lição, antes de posar orgulhoso para a foto com toda a família: “Sou negro, minha esposa é branca. E meus filhos são mais claros do que eu e mais escuros do que a mãe”. Simples assim.
E teve ainda toda a riqueza e tradição da cultura indígena, com a formatura da turma da Licenciatura Intercultural Indígena das Etnias Pitaguary, Tapeba, Kanindé de Aratuba, Jenipapo-Kanindé e Anacé (LII Pitakajá). “É como se fosse uma grande festa em família”, definiu o tapeba Estênio Gomes, com a satisfação redobrada de colar grau junto com a mãe, Margarida Gomes.
“Tem coisa que a gente não aprende na universidade, mas sim na família, na aldeia. Então, o que aprendi aqui é uma bagagem a mais e pretendo repassar esse conhecimento para meus alunos em sala de aula”, planeja Margarida. Diz que a conquista não é só dela, mas de todos os povos indígenas do Ceará. Porque índio aprende desde cedo que a vida é coletiva e que somos responsáveis pelo todo. Na cabeça, o cocar da tribo dividia espaço com o capelo da formatura, simbolizando o elo cada vez mais forte entre índio e Universidade.
 
CACIQUE GRADUADA – A cerimônia marcou ainda a colação de Juliana Alves, a cacique Irê, do povo Jenipapo-Kanindé, filha e sucessora de cacique Pequena, a primeira mulher cacique da história no Ceará. “Nossa comunidade se encontra em festa. Lá na nossa escola indígena, os pais sempre falavam da necessidade dos filhos terem professores graduados. Agora vão ter”, comemora. Ao fim da cerimônia de colação, os índios emocionaram o público fazendo sua tradicional dança de roda, o torém, que se dança de mãos dadas, como a vida deve ser.

Veja um trecho do momento no vídeo abaixo:

Fonte: UFC e Observatório Socioambiental.

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