UFRJ cria Frente contra a extinção do MCT&I

A UFRJ lançou, no dia 25 de maio, a Frente contra a extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A atividade, que teve o apoio da Adufrj-SSind, foi proposta por professores na última assembleia geral da categoria (em 17 de maio). Trata-se de uma reação da comunidade acadêmica à fusão anunciada pelo governo interino de Michel Temer entre os ministérios das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O objetivo agora é expandir a iniciativa para outros institutos, universidades e fundações de pesquisa. Mais que uma atividade contra a dissolução do MCTI, a ação foi importante por unir docentes e pesquisadores de todos os Centros da UFRJ.

lIdeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor do Instituto de Física da UFRJ, é um dos idealizadores da Frente. Para ele, além do lançamento deste movimento, é preciso que professores e pesquisadores realizem outras atividades contra a extinção do MCTI. “Quero chamar atenção para a urgência de nossas ações. As coisas já estão acontecendo. Precisamos nos articular com outros setores, com outras áreas. Conversar em nossas unidades, com nossos alunos, com nossos colegas. Em nome da SBPC, eu digo que vamos fazer essa briga em nível nacional”, declarou. Ele sugeriu que os pesquisadores organizem um dia de mobilização nacional com abraços a prédios históricos ligados à ciência e que a comunidade científica faça pressão nos parlamentares para que o governo interino abandone a ideia de fundir o MCTI às Comunicações.

A presidente da Adufrj-SSind, Tatiana Roque, reforçou o caráter de diálogo com a sociedade proposto pela Frente, que também busca sensibilizar a população para a defesa da universidade: “Além da defesa do Ministério, esta é uma oportunidade de mostrar para a sociedade o que fazemos. Aumentar o envolvimento da sociedade no desenvolvimento da ciência”, disse. Ela enfatizou o papel da Adufrj-SSind de potencializar as iniciativas dos professores da universidade. Ela observou que a ideia de criação da Frente teve origem na mobilização surgida contra a extinção do Ministério da Cultura.

Luiz Bevilacqua, professor emérito da Coppe, demonstrou a preocupação da comunidade científica com as perdas para a ciência a partir da extinção do MCTI: “Destruir um processo de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia é retroceder em anos na história. Leva-se muito tempo, décadas, para recuperar o que foi perdido”. Para o docente, a fusão dos ministérios das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovação é “absolutamente inadequada”. O MCTI, para o professor, preserva uma das poucas políticas de Estado: “Estamos espalhando conhecimento pelo país. A gente não pode parar com isso”.

Ele apresentou alguns indicadores que demonstram o salto da pesquisa no país: o número de docentes de pós-graduação, de 2006 a 2010, no Centro-Oeste, cresceu 113%; no Norte, 118%; no Nordeste, 119%; no Sudeste, 58%. Houve salto, também, no número de estudantes de pós: 121% no Centro-Oeste; 158% no Norte; 135% no Nordeste; 41% no Sudeste. Bevilacqua citou, ainda, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia implantados em todas as regiões do país e com grande expansão no Norte e Nordeste.

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, relacionou a fusão dos ministérios a uma reforma do Estado. “Trata-se de uma reforma de Estado, feita de forma unilateral, por um governo interino. O deslocamento do MCTI para um âmbito inferior (uma secretaria) não se trata de custo. É uma economia irrisória. É um deslocamento do lugar de importância da ciência e tecnologia. No mesmo dia 25, a reitoria divulgou nota em defesa do MCTI.

Professora da Faculdade de Letras, Beatriz Resende também participou da atividade de lançamento da Frente e chamou atenção para a falta de informações sobre o funcionamento da nova estrutura proposta pelo governo federal. “Primeiro vem a pergunta: de que tipo de comunicação eles falam? Como se dará essa fusão? Lançam um ministério e não dizem o que é, não explicam. Isso não está claro”. Ela também falou do crescimento da pesquisa em sua área, a despeito dos parcos recursos. “As verbas diminuíram, mas houve crescimento extraordinário na pesquisa. A qualidade da pesquisa que vem sendo feita no Norte e Nordeste é absolutamente exemplar. Mas, com essa política (de fusão), a área das Humanidades está ameaçadíssima”.

Mais informações no site da Adufrj-SSind.

Fonte: Observatório das Metrópoles

Postado por: Brenno Soares

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