Humanidades e pensamento crítico

UNIVERSIDADE

Na sexta-feira, dia 13/5, aconteceu uma Aula Pública no Campus do Benfica da UFC, Bosque das Letras, que contou com a participação de aproximadamente 500 pessoas e teve como tema “Universidade, pensamento crítico e direitos humanos”.

O objetivo da aula, promovida por coletivos de professores e estudantes da UFC, foi afirmar o papel da universidade na defesa dos direitos humanos, sobretudo pelo exercício do pensamento crítico, e denunciar que nosso Centro de Humanidades vem-se tornando alvo de ações de grupos de ultra direita, que atuam com as estratégias do assédio, da provocação e da autopromoção midiática. As várias ações na UFC assemelham-se a outras verificadas em universidades públicas pelo País.

A atuação desses grupos na mídia é insidiosa. Nas redes sociais, criam perfis, eventos e espalham o terrorismo nos comentários, cheios de truculência verbal, ameaças de violência física, fotos de armas etc. Já nos jornais de grande circulação, eles se apresentam como vítimas, não falam de suas propostas e clamam somente pela “liberdade de expressão”, requerendo da democracia o direito de atentar contra ela, ao promover um político que faz apologia da ditadura e da tortura.

Esse tipo de fenômeno político encontrou no fascismo italiano sua forma geral de expressão. As estratégias de enraizamento social dos grupos protofascistas têm sido historicamente a exacerbação dos preconceitos (que fornecem os alvos a serem demonizados), a incitação do ódio e o culto personalista de um líder autoritário.

As Humanidades são um alvo para eles porque nossas áreas de estudo caminham pari passu com os avanços sociais, artísticos e de consciência política. Além disso, movemo-nos naturalmente entre diversas culturas, entre uma variedade de cores, línguas, gêneros, classes e nacionalidades, numa complexidade vívida, que certamente incomoda um tipo de perfil ideológico afeito à uniformização totalitária.

Em nossa aula de sexta-feira, estiveram conosco representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, do Instituto Frei Tito de Alencar, da Associação Anistia 64/68 e de movimentos sociais. Conclamamos agora a sociedade, e também a imprensa, a exercer o papel esclarecido e generoso de salvaguarda dos valores da democracia, dos avanços sociais e dos direitos humanos, principalmente neste momento em que se encontram abertamente sob ameaça.

 

Irenísia Oliveira

irenisia@gmail.com

Professora do Departamento de Literatura da UFC

 

Adelaide Gonçalves

adelaidemgpereira@gmail.com

Professora do Departamento de História da UFC

 

Fonte: Artigo publicado no Jornal O Povo.

Postado por: Brenno Soares

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